23 de outubro de 2009

Monge caminha 18 metros "sobre a água"

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Foto-legenda: monge caminha 18 metros "sobre a água"

23/10 - 09:03 - Redação com agências internacionais


PEQUIM - Um monge chinês do templo Shaolin, Shi Lilian, de 33 anos, conseguiu percorrer 18 metros "sobre a água" utilizando uma técnica conhecida como "Shuishangpiao".

Shi Lilian aparentemente corre sobre a água / Reuters

Apesar de parecer que o monge caminha "milagrosamente" sobre a superfície de um reservatório na província de Quanzhou, Shi Lilian na verdade usa uma técnica de enfileirar tábuas de madeira para dar a impressão de que a caminhada é possível.
Veja a técnica de Shi Lilian abaixo:

Primeiro, ele deixa todas as tábuas enfileiradas ... / Reuters


... depois é só correr em alta velocidade e tomar cuidado para não cair / Reuters

22 de outubro de 2009

Caso de polícia

Caso de polícia

Na semana passada, soubemos, por meio da imprensa, que uma garota de sete anos acabou na delegacia por causa de uma briga na escola que começou, parece, por causa de um doce. As notícias divulgadas afirmam que a garota agrediu educadores e até policiais que foram chamados pela própria escola para ajudar (?) a resolver a situação.

A mãe da menina disse que ela faz tratamento e que a escola está ciente da situação, mas não vou considerar essa informação porque muitas crianças dessa idade ainda podem se descontrolar fisicamente mesmo sem ter problema nenhum. E é bom lembrar que a criança, quando perde o controle ainda escasso e em desenvolvimento que tem sobre seu corpo, dificilmente consegue parar a crise de birra sem ajuda.

Não estamos sozinhos nessa atitude de colocar a criança como inteiramente responsável por suas atitudes. Na Inglaterra, uma garota de dois anos está sendo acusada por um vizinho de ter cometido atos de vandalismo. A polícia também foi chamada nesse caso e está investigando o fato de a menina ter batido com uma varinha no carro de propriedade do vizinho que a acusou.

Imagine, caro leitor, a cena: uma criança que vive num mundo habitado por fadas, bruxas e crianças com poderes mágicos -vale lembrar que Harry Potter tem origem britânica- decide usar uma varinha para transformar um carro em carruagem, veículo voador, abóbora ou coisa que o valha. E tudo o que consegue é ser empurrada violentamente para o mundo adulto: vai parar na polícia. No caso brasileiro, tudo o que a menina queria era um doce pelo qual resolveu batalhar com os recursos de que dispunha, mas o que conseguiu foi o mesmo que sua companheira britânica de infância: polícia.

Os adultos estão totalmente impotentes perante as travessuras, estratégias usadas para atender a impulsos e comportamentos desgovernados das crianças. Aliás, não só impotentes como também ausentes. Não havia um adulto por perto disposto a tirar a "varinha de condão" da mão da menina de dois anos ao perceber que, em vez de mágica, ela estava provocando estrago no carro do vizinho. Não havia, na escola que a garota de sete anos frequenta em Campinas (cidade em que ocorreu a história citada), um adulto capaz de conter fisicamente o descontrole corporal da garota de sete anos.

Muitos dizem que o Estatuto da Criança e do Adolescente é responsável pela omissão dos adultos perante comportamentos inadequados dos mais novos. Será que não sabemos mais intervir para conter uma criança sem usar violência, sem humilhar, sem desrespeitar sua dignidade? Será que não sabemos mais a diferença entre ação firme e ação violenta?

Vamos lembrar que a criança e o velho são os que precisam, em nosso país, da existência de estatutos que os defendam e garantam os seus direitos, o que não é bom sinal. Mas agora parece que, além de não defendermos nem respeitarmos por vontade própria nossas crianças, passamos a sentir medo delas. O que há de vir depois?

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?"

Vaga de gari atrai mestres e doutores


15 de outubro de 2009

Apressando a vida


O avião em que viajo finalmente pousa. Cautelosa, espero que a aeronave pare totalmente para relaxar por saber que cheguei sã e salva. Estou sentada numa poltrona do corredor e prefiro esperar as portas se abrirem para levantar. Não consigo: sou atropelada por um senhor, com terno de corte fino, que estava sentado ao lado da janela e tem pressa.

Ele nem sequer pede licença para passar ou espera que eu me levante: simplesmente passa por cima de minhas pernas. Aguardo um pouco e, quando a fila caminha em direção à saída, tento sair. Dura empreitada essa: ninguém está disposto a dar passagem porque isso significa chegar atrás, mais tarde. Segundos apenas, mas mais tarde. Encontro-me com quase todos os companheiros de viagem no ônibus que nos leva até o saguão do aeroporto e enfrento a mesma dificuldade para dele descer e chegar à esteira onde pegarei minha bagagem. Estão lá, os apressados, e vão esperar comigo a mala chegar.

A pressa tomou conta de nossas vidas. Corremos desde que acordamos. O banho é rápido -além de tudo, é preciso economizar água e energia-, o café da manhã é tomado com a leitura do jornal ou outra atividade qualquer, os filhos são empurrados para o carro e, com toda a velocidade, enfrentamos o trânsito emperrado para chegar ao nosso destino. É no trânsito, principalmente, que constatamos a pressa de quase todos: é difícil sair da garagem, já que poucos se dispõem a esperar alguns segundos para dar passagem. Passar de uma pista para outra é tarefa para piloto de Fórmula 1: poucos deixam ser ultrapassados.

As crianças percebem desde cedo a nossa correria e a adotam. Quando bebês, os primeiros passos são dados apressadamente para garantir um equilíbrio ainda em desenvolvimento. Daí em diante, é difícil ver crianças andando: correm sem motivo nenhum. E nós, em nossa pressa, achamos natural que corram dentro de casa, na escola, onde as levamos.

Incentivamos a corrida sem fim dos mais novos: queremos que aprendam tudo rapidamente e cedo, de preferência sem exigir muito de nossa parte para que não atrapalhem a nossa própria corrida. É no futuro deles que pensamos? A justificativa que assumimos foi essa. Mas, pensando bem, ela pode ser uma desculpa que construímos para adequar o papel educativo ao estilo de vida corrido que adotamos. Afinal, estimulando e empurrando os mais novos para essa corrida, tantas vezes desrespeitamos etapas de suas vidas, ritmos pessoais etc.

Aonde precisamos chegar com tanta pressa? Ao pensar nessas questões, ocorre-me o personagem do filme "Forrest Gump", que, em determinado momento de sua vida, decide correr. Ele simplesmente corre: sem motivo, sem destino.
Para que não façamos o mesmo, precisamos nos perguntar diariamente: "Por que estou correndo? Será que poderia realizar a mesma coisa com mais calma e melhor?". Desse modo, certamente poderíamos diminuir nosso alto grau de estresse, dedicar mais tempo aos filhos e, assim, ter uma vida melhor com e para eles.

ROSELY SAYÃO é psicólica e autora de "Como Educar Meu Filho"

12 de outubro de 2009

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS


“E a gente canta e a gente dança
E a gente não se cansa de ser criança
A gente brinca na nossa velha infância...”
(Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown / Marisa Monte)


Amo viver o presente, mas é um momento mágico voltar no tempo e relembrar cada momento da minha infância. Os amigos que fiz quando pequena são os mesmos que estão comigo até hoje nos momentos felizes e difíceis da vida.
Cultivei minhas amizades e hoje vejo que valeu a pena. Além de poder reviver momentos de criança, os faço com as mesmas pessoas que estavam ao meu lado.
Sob o sol da Bahia dancei, brinquei, li, escrevi, ri e chorei. Foi lá que formei minha personalidade e que, junto à minha família, pude formar meus valores e entender que amizade e simplicidade são ótimos ingredientes para formar uma base sólida para a vida.
Cresci, fiz amigos pelo mundo, mas não tenho vergonha de dizer que ainda gosto de ser, em alguns momentos, uma criança grande.
É com sobrinhos e afilhados que sento no chão, me lambuzo com chocolate, brinco de boneca e até de carrinho.
A inocência daqueles que um dia serão adultos me dá ânimo para saber que, pelo menos com as pessoas próximas a mim, teremos seres humanos melhores no comando do mundo.
Desejo que nos próximos anos nossas amizades aumentem mais, nossos reencontros com os que não vemos há tempo sejam mais freqüentes, que a família dos palhaços cresça e que eu esteja por aqui para dividir meus momentos com vocês.
Um beijo enorme desta adulta que ama viver a vida com a leveza de uma menina.


SANDRA TESCHNER
Revista Ponto de ENCONTRO